A história de Shenzhen e como a cidade virou uma potência tecnológica
Em 15 de junho de 2026, Shenzhen inaugurou em São Paulo um Escritório de Ligação Econômica e Comercial, durante uma conferência de cooperação entre a China e o Brasil realizada no espaço de eventos de uma fabricante chinesa de carros elétricos (fonte).
Isso chama atenção porque, há pouco mais de quarenta anos, o lugar era uma região pobre encostada na fronteira com Hong Kong. O que levou Shenzhen até aqui foram algumas decisões tomadas entre 1978 e 1992 por um grupo pequeno de políticos e empresários, que contaram com o dinheiro e o conhecimento de países como Japão, Singapura, Estados Unidos e Taiwan, além de Hong Kong, que até 1997 era colônia britânica.
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Shenzhen ficava dentro do antigo condado de Bao’an, bem na divisa com Hong Kong. Costuma-se dizer que era uma vila de pescadores, mas a pesquisadora Mary Ann O’Donnell, que faz trabalho de campo na cidade desde 1995, lembra que ali funcionavam a sede do condado e uma estação da ferrovia entre Hong Kong e Cantão. Segundo ela, a imagem da vila de pescadores nasceu de uma confusão de repórteres, que em 1984 tomaram o bairro de pescadores de Yumin pela cidade inteira (fonte).
Do outro lado da divisa, Hong Kong vivia uma realidade bem diferente, e isso empurrou muita gente a tentar atravessar. Houve grandes ondas de fuga em 1957, 1962, 1972 e 1979, com pessoas cruzando a nado as baías da região, numa travessia de uns quatro quilômetros feita de noite (fonte). A fome e a perseguição política daquelas décadas pesaram nessas fugas (já contamos como foi o Grande Salto Adiante, que terminou em fome generalizada, aqui).
No fim dos anos 1970, a China saía de uma década de Revolução Cultural que, segundo o Banco Mundial, deixou a economia parada e a população esgotada, e o país precisava de mudanças profundas (fonte). A decisão de abrir a economia veio antes de a cidade existir, e começou com viagens. Em outubro de 1978, Deng Xiaoping, que então era vice-primeiro-ministro e vinha se firmando como a principal liderança favorável às reformas, foi ao Japão, visitou fábricas da Nissan e da Panasonic e pediu pessoalmente ao fundador da Matsushita Electric, empresa que mais tarde virou a Panasonic, ajuda para a modernização chinesa (fonte). Segundo o pesquisador Andrew Cainey, a empresa passou o começo dos anos 1980 transferindo tecnologia para a China em mais de 150 projetos (fonte) (já contamos como o Japão se reergueu depois da guerra aqui). Um mês depois, Deng esteve em Singapura, conheceu Lee Kuan Yew e, segundo o próprio Lee, voltou para casa convencido de que a ilha merecia ser estudada (fonte) (já contamos a história do desenvolvimento de Singapura aqui).
Em dezembro de 1978, o governo central adotou a política de abertura, que o Banco Mundial descreve como um experimento social, pensado para testar reformas de mercado num ambiente controlado ou, nas palavras de Deng, para atravessar o rio tateando as pedras (fonte). Em 1º de janeiro de 1979, China e Estados Unidos estabeleceram relações diplomáticas (fonte), e Deng foi a Washington no fim do mês, onde assinou com o presidente Carter acordos de cooperação em ciência e tecnologia (fonte). Isso abriu a porta para o comércio entre os dois países, de que as fábricas de Shenzhen dependeriam mais tarde (já contamos como China e EUA abriram juntos o mercado chinês aqui).
O primeiro experimento prático aconteceu num pedaço da região chamado Shekou. Yuan Geng, que tinha nascido ali perto, em Bao’an, e era vice-presidente executivo do conselho da China Merchants, estatal com sede em Hong Kong, passou o meio de 1978 estudando Hong Kong e propôs montar uma zona industrial do lado chinês da fronteira. Um detalhe interessante é que o governador de Hong Kong tentou convencê-lo a construir um terminal de cargas do lado britânico, e Yuan preferiu Shekou porque, se o projeto desse errado ou se a política de Deng mudasse, o prejuízo seria menor, já que o terminal e os equipamentos continuariam na China. Em 31 de janeiro de 1979, ao apresentar a proposta ao líder Li Xiannian, Yuan viu Li circular no mapa a península de Nantou inteira, mas achou a área grande demais para o plano e escolheu 2,14 quilômetros quadrados no extremo sul da península, onde nasceu a zona industrial (fonte) (fonte).
Shekou virou um laboratório de coisas que o resto do país ainda não fazia. Foi o primeiro lugar da China a acabar com os tíquetes de racionamento, que o Estado distribuía para comprar alimentos, tecido e outros itens básicos, quatro anos antes de Shenzhen, e a partir de 1981 passou a permitir que trabalhadores comprassem casas com desconto médio de 30% sobre o custo de construção, a ponto de mais de 95% dos funcionários registrados terem casa própria em 1992. Yuan e o governador de Hong Kong, Murray MacLehose, se encontraram várias vezes entre 1978 e 1982, e depois de visitar a zona MacLehose falou bem dela à imprensa, o que despertou o interesse de empresários hongkonguenses (fonte).
Enquanto Shekou avançava, a ideia de ampliar o experimento ganhava força na província de Guangdong. Xi Zhongxun era o principal dirigente do Partido Comunista na província e é pai do atual presidente Xi Jinping (já contamos a história da família Xi aqui). Em abril de 1979 ele foi a Pequim pedir que a província pudesse sair na frente, separando pedaços de Shenzhen, Zhuhai e Shantou para funcionarem com regras próprias e atrair investimento de chineses que viviam fora, de Hong Kong, de Macau e de estrangeiros. Segundo o relato oficial, Deng topou e avisou que o governo central não tinha dinheiro e que a província teria de se virar sozinha (fonte). Em julho de 1979, o governo decidiu que Guangdong e Fujian sairiam na frente (fonte), e foi nesse mês que a explosão para abrir caminho na montanha de Shekou marcou o início das obras (fonte). Em 26 de agosto de 1980, o comitê permanente do parlamento chinês aprovou o regulamento das zonas econômicas especiais de Guangdong, que são áreas com regras mais flexíveis, criadas para atrair capital estrangeiro (fonte).
As regras da zona foram desenhadas para atrair quem tinha capital e tecnologia. Segundo o Banco Mundial, empresas com investimento estrangeiro pagavam 15% de imposto de renda, contra uma alíquota básica de 30% a 33% das empresas chinesas, conforme a época e a regra aplicada, e podiam importar sem tarifa os insumos que seriam exportados dentro do produto final. Essa diferença começou a acabar com uma lei aprovada em 16 de março de 2007 e em vigor desde 1º de janeiro de 2008, que fixou a alíquota geral em 25%, e as empresas registradas antes da lei que já gozavam da alíquota de 15% tiveram uma transição gradual, de 18% em 2008 até 25% em 2012. A autonomia de Shenzhen foi crescendo aos poucos, e o passo decisivo para legislar veio em 1º de julho de 1992, quando o comitê permanente do parlamento chinês autorizou a câmara municipal e o governo da cidade a elaborar leis e regras próprias para a zona. A cidade foi pioneira em contratos de trabalho com prazo, em que, segundo o Banco Mundial, a empresa podia dispensar quem não rendia. Um ponto que costuma passar batido é que as zonas ficaram de propósito longe de Pequim, para reduzir o risco político do experimento. Achei muito boa a síntese do próprio Banco Mundial, que fala em gradualismo com abordagem experimental e em um Estado que facilita o investimento de forma ativa e pragmática (fonte) (fonte) (fonte) (fonte) (fonte) (fonte).
O experimento também ficou separado do resto do país por uma barreira física. Em 1980 foram demarcados 327 quilômetros quadrados para a zona e, dois anos depois, uma cerca e vários postos de controle passaram a exigir permissão especial de quem queria entrar vindo de fora (fonte). A função inicial da linha era inspecionar mercadorias e pessoas e combater o contrabando e a entrada clandestina (fonte).
Nos primeiros anos, o dinheiro veio principalmente de Hong Kong, que nos anos 1980 começou a mandar para fora a produção que usava muita mão de obra. Em 1981, Shenzhen recebeu 50,6% de todo o investimento estrangeiro da China, e entre 1980 e 1984 a economia da cidade cresceu cerca de 58% ao ano, segundo o Banco Mundial, que não detalha o método de cálculo, contra uma média nacional de uns 10% (fonte). A indústria ganhou força nos anos 1980 e 1990 no modelo conhecido como loja na frente, fábrica atrás, em que Hong Kong ficava com as vendas e o contato com o mundo, e a produção ia para o lado chinês, onde a terra e a mão de obra eram mais baratas (fonte).
Em 1984, Deng visitou Shenzhen pela primeira vez e deixou escrito que o desenvolvimento e a experiência da cidade provavam que a política de criar zonas econômicas especiais estava correta. Naquele mesmo ano, o governo abriu 14 cidades costeiras ao investimento estrangeiro e, até 1988, criou nelas uma variante das zonas especiais, as zonas de desenvolvimento econômico e tecnológico (fonte). A população da zona de Shenzhen, que em 1984 estava um pouco abaixo de 350 mil pessoas, passou de um milhão até 1992 (fonte). Das três zonas de Guangdong, Shenzhen foi a que mais cresceu, e o Banco Mundial aponta que Zhuhai construiu um aeroporto grande demais para a demanda e que Shantou foi travada por escândalos de corrupção e contrabando (fonte).
Quem fez essa expansão acontecer foram os migrantes. Segundo um relatório do Banco Asiático de Desenvolvimento de 2007, citado pelo Banco Mundial, eles representavam 83% da população da cidade (fonte), e a historiadora Taomo Zhou lembra que Shenzhen viu um dos maiores movimentos de migração interna do século XX (fonte). Outra questão que podemos mencionar aqui é que o registro que prende cada chinês ao seu lugar de origem, o hukou, impedia boa parte desses trabalhadores de ter os mesmos direitos de quem nasceu na cidade, o que também ajudava a manter os custos baixos (já explicamos como funciona o hukou aqui).
Outro ponto foi a terra. Os terrenos urbanos pertencem ao Estado na China, e o que Shenzhen passou a negociar foi o direito de usá-los. Em setembro de 1987, a cidade transferiu pela primeira vez no país, por acordo, o direito de uso de um terreno a uma empresa (fonte) (fonte, em chinês), e em 1º de dezembro fez o primeiro leilão público, com um lote residencial cedido por 50 anos (fonte). Em abril de 1988, a Constituição foi alterada para permitir que o direito de uso da terra fosse transferido nos termos da lei (fonte, em chinês). Esse arranjo, em que o Estado continua dono do terreno e vende o direito de uso, é o que depois se espalhou pelas demais cidades chinesas. Aqui podemos ver o papel de Shenzhen como teste, e é o que Taomo Zhou descreve quando diz que as políticas de mercado eram experimentadas ali antes de chegarem ao resto da economia planejada (fonte).
O setor privado começou a aparecer no fim dos anos 1980. Em 1987, Ren Zhengfei, um ex-oficial do exército chinês, fundou a Huawei, que começou como fabricante de equipamentos de telefonia (já contamos a história dela aqui). Nesse mesmo ano, em julho, Taiwan encerrou a lei marcial, e em novembro passou a permitir que seus moradores visitassem parentes na China continental. Antes do fim da lei marcial, a política oficial era a dos “três nãos”, de nenhum contato, nenhuma negociação e nenhum compromisso, e, segundo a própria Presidência de Taiwan, qualquer interação com o continente era ilegal (fonte). As empresas taiwanesas começaram então a investir no continente atrás de consumidores e de custos de produção menores (fonte).
Foi nesse contexto que, em outubro de 1988, o taiwanês Terry Gou abriu uma fábrica da Foxconn em Shenzhen, num espaço alugado e com equipamentos, materiais e tecnologia trazidos de Taiwan, e em 1996 comprou terra do governo local e começou o complexo de Longhua (fonte). O que atraía Gou eram os salários e os preços de terra baixos (fonte), e em 2013 mais de 300 mil pessoas viviam e trabalhavam dentro desse complexo, segundo a escola de negócios CKGSB (fonte). Tudo isso aconteceu com Pequim e Taipé em lados opostos da política (já escrevemos por que a China não desiste de Taiwan aqui), e a Foxconn acabou virando peça central na fabricação dos produtos da Apple (já contamos esse caminho aqui).
O avanço quase parou em 1989, depois da repressão de 4 de junho em Pequim. Ainda assim, em 1º de dezembro de 1990 a bolsa de Shenzhen começou a operar em caráter experimental (fonte), e, segundo Taomo Zhou, sem aprovação formal de Pequim, depois que a compra e venda de ações nas ruas da cidade, debaixo das lichieiras, virou uma prática ilegal e fora de controle (fonte). Em janeiro de 1992, Deng, com 87 anos, percorreu o sul do país e disse, em conversas ao longo da viagem, que era preciso ter coragem para experimentar, sem agir como mulheres de pés enfaixados, e que essa era a lição de Shenzhen. Sobre a bolsa, perguntou se ações eram coisa exclusiva do capitalismo e propôs testar por um ou dois anos, ampliando se desse certo, e disse que em Shenzhen o setor público era a base da economia e o setor com capital estrangeiro respondia por apenas um quarto (fonte) (fonte). Em outubro daquele ano, no congresso do partido, Jiang Zemin elogiou Deng como arquiteto da abertura e colocou suas ideias no mesmo nível do pensamento de Mao (fonte).
Depois da viagem de Deng, a abertura se espalhou, e isso mudou o jogo para Shenzhen. Segundo o Banco Mundial, em 1992 o conceito já tinha sido estendido a toda a região costeira e às capitais das províncias do interior, e as zonas especiais já não eram tão especiais assim (fonte). Shekou, por sua vez, tinha sido incorporada a Shenzhen em 1990 e perdeu boa parte dos direitos especiais (fonte).
Mesmo sem exclusividade, Shenzhen continuou crescendo. Segundo o Banco Mundial, as exportações da cidade passaram de US$ 8,2 bilhões em 1990 para US$ 34,6 bilhões em 2000 e US$ 136 bilhões em 2006 (fonte). No fim de 2001, a China entrou na Organização Mundial do Comércio, a OMC, e com as regras comerciais mais estáveis as grandes marcas ocidentais ampliaram as encomendas à infraestrutura chinesa (já explicamos o que mudou com essa entrada aqui).
Shenzhen também montou políticas para subir de nível. Já vinha mirando em tecnologia desde o fim dos anos 1980, e em 1998 as indústrias de alta tecnologia respondiam por quase 40% da produção industrial da cidade. Segundo o Banco Mundial, a cidade criou um escritório de propriedade intelectual, deu incentivos de imposto e de financiamento a software, chips e capital de risco e, em 2009, abriu o ChiNext, um segmento da bolsa voltado a empresas novas de tecnologia (fonte). Nesse caminho nasceram as empresas que dão fama à cidade hoje. Ma Huateng, formado pela Universidade de Shenzhen, cofundou a Tencent em 1998 (fonte), e a lista de empresas nascidas ali, segundo o governo da cidade, inclui também a fabricante de carros elétricos BYD e a fabricante de drones DJI (fonte) (já contamos se a BYD é estatal ou privada aqui). Em 2008, Shenzhen foi a primeira entre as cidades chinesas em registro de novas patentes (fonte).
Quando as vantagens do começo foram acabando, o custo de ficar ali subiu. Segundo o Banco Mundial, o preço da terra em muitas zonas ficou várias vezes mais alto do que quando elas foram criadas, o que levou parte das empresas a se mudar para o interior ou para fora do país (fonte), e os salários chineses também subiram, com parte das fábricas de trabalho manual indo para a Índia e o Vietnã (já escrevemos sobre o fim da mão de obra barata na China aqui). Já o gasto com pesquisa e desenvolvimento deu um salto em Shenzhen em 2023, chegando a cerca de US$ 31 bilhões (223,66 bilhões de yuans), e mais de 93% desse valor saiu das próprias empresas (fonte) (fonte oficial, em chinês) (já falamos da corrida entre China e EUA em pesquisa aqui). A cidade também lidera, há mais de duas décadas, o número de pedidos internacionais de patente entre as cidades chinesas (fonte).
A cerca durou mais que a exclusividade. Em 1º de julho de 2010, a zona econômica especial foi estendida para a cidade inteira, e em janeiro de 2018 o governo central chinês aprovou a retirada da linha de controle (fonte).
Em 2019, a disputa tecnológica com os EUA chegou à cidade. Em maio, o Departamento de Comércio americano incluiu a Huawei numa relação que obriga quem quer exportar produtos e tecnologia americanos para as empresas listadas a pedir licença, com tendência de recusa, a chamada Entity List. O governo americano justificou a decisão dizendo que havia motivo para crer que a empresa estaria envolvida em atividades contrárias à segurança nacional e à política externa dos EUA (fonte) (já escrevemos sobre a guerra dos chips aqui).
Em 2020, no aniversário de 40 anos da zona, o governo chinês informou que o PIB de Shenzhen tinha chegado a cerca de US$ 400 bilhões em 2019, o que, em yuans correntes, era algo como dez mil vezes o de 1980, comparação que não desconta a inflação. Na ocasião, Xi Jinping pediu que a cidade virasse uma zona-piloto do socialismo com características chinesas e contribuísse para a Grande Área da Baía Guangdong-Hong Kong-Macau (fonte).
Hoje, segundo um relatório de mercado de 2025 do escritório de comércio agrícola dos EUA em Guangzhou, órgão do Departamento de Agricultura, o PIB de Shenzhen passou de US$ 516 bilhões em 2024 (fonte). A população é jovem, e segundo o governo da cidade, que cita o sétimo censo nacional, a idade média dos moradores era de 32,5 anos (fonte). O boletim estatístico oficial registra 18,25 milhões de moradores no fim de 2025 (fonte).
Os parceiros comerciais de hoje mostram o mapa dessa história. Segundo a alfândega de Shenzhen, nos primeiros 11 meses de 2024 a Associação de Nações do Sudeste Asiático, a ASEAN, Hong Kong e os Estados Unidos eram os três maiores parceiros e somavam 42,7% do comércio da cidade, que chegou a cerca de US$ 560 bilhões (fonte). No primeiro semestre de 2025, os três primeiros passaram a ser ASEAN, Hong Kong e Taiwan, com a União Europeia, os Estados Unidos, o Japão e a Coreia do Sul entre os demais parceiros importantes (fonte).
Li diversos textos sobre o assunto, e a observação de Taomo Zhou me pareceu a mais útil para organizar tudo isso. A versão oficial dá o crédito às decisões dos líderes em Pequim, mas o trabalho dela mostra uma história feita de conflito, negociação e colaboração entre funcionários do Estado, empresários privados e migrantes (fonte).
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