Vamos falar sobre um tema que afeta diretamente a economia brasileira: o Investimento Direto no País (IDP), que é basicamente o dinheiro que empresas estrangeiras injetam aqui para abrir fábricas, comprar ações em empresas locais ou expandir operações. Diferente de investimentos de curto prazo, como na Bolsa de Valores (B3) ou em títulos do Tesouro, o IDP é de longo prazo e ajuda a criar empregos, trazer tecnologia e impulsionar o crescimento. Vamos comparar os investimentos dos Estados Unidos e da China nos últimos 10 anos (de 2015 a 2025), usando dados oficiais, e depois conectar isso ao debate político no Brasil. O objetivo é mostrar que, em vez de brigar por “qual lado apoiar”, o país ganha mais ao atrair ambos.
O que é IDP?
Imagine que uma empresa estrangeira decide montar uma fábrica no Brasil. Esse dinheiro entra como IDP e gera benefícios reais: mais empregos, transferência de conhecimento (como novas tecnologias) e competição no mercado, o que pode baixar preços e melhorar produtos para nós, consumidores. Segundo o Banco Central do Brasil (BC), o IDP total no país tem variado, mas em 2025, até junho, somou US$ 33,8 bilhões – o menor valor para o primeiro semestre em quatro anos, uma queda de 10,7% em relação a 2024. Isso reflete os desafios globais, como juros altos nos EUA e incertezas geopolíticas, mas o acumulado de 12 meses até junho de 2025 foi de US$ 67 bilhões, equivalente a 3,14% do PIB. Até maio de 2025, o total do ano era de US$ 30,9 bilhões, também o menor desde 2021.
Agora, vamos aos números dos EUA e da China.
Comparação: EUA e China nos Últimos 10 Anos
Os Estados Unidos são, de longe, o maior investidor estrangeiro no Brasil. Eles respondem por cerca de 1/3 de todo o IDP. Em termos de estoque (o valor acumulado de investimentos ao longo do tempo), em 2023, os EUA tinham US$ 357,8 bilhões investidos aqui, o que representa 34% do total de IDP no país. Isso é o maior percentual da série histórica. Para fluxos anuais (o dinheiro novo que entra a cada ano), os EUA lideram consistentemente. Por exemplo:
- Em 2023, os fluxos dos EUA representaram cerca de 17% do total de IDP no Brasil.
- Nos últimos 10 anos, o investimento americano cresceu de forma estável, impulsionado por setores como finanças, tecnologia e manufatura. De 2015 a 2024, estima-se que os fluxos acumulados dos EUA superem US$ 200 bilhões, com picos em anos de recuperação econômica, como pós-2021.
A China, por outro lado, tem crescido, mas ainda é menor. Seu estoque em 2023 era de US$ 44,9 bilhões, apenas 4,28% do total – o menor nível em sete anos e uma queda em relação a anos anteriores. Em 2016, era 2,87%, e a China ocupava o 12º lugar entre os investidores; em 2023, caiu para o 7º. Para fluxos anuais:
- Em 2023, os investimentos chineses foram de cerca de US$ 506,7 milhões, focados em setores como energia, mineração e infraestrutura.
- Nos últimos 10 anos (2015-2025), os fluxos acumulados da China chegam a cerca de US$ 20-30 bilhões, com picos em 2010 (US$ 35 bilhões anunciados, mas nem todos confirmados) e quedas recentes devido a tensões globais. De 2007 a 2023, o total acumulado de investimentos chineses no Brasil foi de US$ 73,3 bilhões, principalmente em eletricidade (US$ 33,2 bilhões) e mineração (US$ 4,4 bilhões).
Em resumo, uma tabela simples para comparar (valores aproximados em bilhões de dólares, baseados em estoques e fluxos recentes):
Ano/Aspeto | EUA (Estoque/Fluxo) | China (Estoque/Fluxo) | Observações |
---|---|---|---|
2015-2019 (acumulado) | ~US$ 150-200 bi (estoque crescente) | ~US$ 10-15 bi (fluxos) | EUA dominam finanças; China foca commodities. |
2020-2023 | US$ 357,8 bi (estoque em 2023); 17% dos fluxos | US$ 44,9 bi (estoque em 2023); US$ 0,5 bi (fluxo 2023) | Pandemia afetou ambos, mas EUA cresceram 56% em 2023. |
2024-2025 (parcial) | Continuação da liderança (25-34% do total) | Queda relativa; foco em novos acordos | Total IDP 2025: US$ 33,8 bi até junho. |
Os EUA investem mais e de forma diversificada, enquanto a China é estratégica em áreas como energia e agro.
O Embate Político: Esquerda vs. Direita e a Questão China x EUA
No Brasil, o IDP vira combustível para debates políticos. A esquerda, historicamente, tende a priorizar relações com a China, vendo nela um parceiro para o desenvolvimento sem “imperialismo” – como em projetos de infraestrutura via Belt and Road Initiative. Já a direita prefere os EUA, enfatizando valores democráticos, inovação e alianças ocidentais, como acordos comerciais que favorecem tecnologia e serviços.
Esse embate reflete divisões internas: governos de esquerda, como o atual, buscam equilibrar, mas enfrentam críticas de “pró-China” em visitas oficiais ou acordos em energia. A direita acusa de negligenciar os EUA, que oferecem mais estabilidade. O total de IDP no país em 2022 foi de US$ 86 bilhões, o quinto maior do mundo, graças a investidores diversos.
Em vez de brigar, vamos focar nos ganhos. Os EUA trazem:
- Empresas e inovação: Gigantes como Google, Amazon e bancos americanos investem em tech e finanças, criando empregos qualificados e melhorando o mercado (ex.: mais opções de crédito e apps). Em 2023, setores como seguros e serviços financeiros dominaram.
- Melhoria no mercado: Aumentam a competição, reduzem custos e transferem know-how, ajudando o Brasil a se integrar a cadeias globais de valor.
A China oferece:
- Infraestrutura e commodities: Investimentos em energia (como hidrelétricas) e mineração melhoram nossa capacidade produtiva, gerando empregos em regiões como Norte e Nordeste. Acordos recentes em agro e energia podem elevar isso.
- Crescimento sustentável: Traz empresas que exportam para a Ásia, equilibrando nossa dependência de mercados ocidentais e impulsionando o PIB via exportações.
Com ambos, o Brasil ganha empregos (milhões criados por IDP), tecnologia mista (americana inovadora + chinesa acessível) e um mercado mais forte. Em 2025, com a Nova Política Industrial do governo focando em bioeconomia e transição energética, atrair os dois pode acelerar isso.
O IDP dos EUA e da China nos últimos 10 anos mostra um desequilíbrio – EUA lideram com volumes maiores e diversificados, enquanto China cresce em áreas chave, mas com quedas recentes. Politicamente, o embate esquerda-direita reflete visões ideológicas, mas economicamente, o Brasil precisa de ambos para crescer. Em vez de “escolher lados”, políticas neutras – como reformas tributárias e redução de burocracia – podem atrair mais investimentos, criando um ciclo virtuoso de empregos, inovação e prosperidade.
Mais detalhes: Investimento direto no país soma US$ 30,9 bi no ano até maio / Investimento direto cai ao menor nível em 4 anos no 1º semestre / [PDF] Empresas transnacionais e o Estado brasileiro: uma análise da … Investimento Direto no País (IDP) vindos da China / Relatório de Investimento Direto (BCB) / Participação chinesa em investimento direto no Brasil cai a menor nível em 7 anos em 2023 | CNN Brasil / Mapa de Investimentos Bilaterais Brasil-Estados Unidos / Investimento Estrangeiro Direto da China no Brasil: um estudo de setores selecionados / Brazil Foreign Direct Investment / Investimento Estrangeiro Direto no Brasil (1970-2024) / FDI in Brazil from the U.S. 2024| Statista / China: outward FDI flows to Brazil 2023| Statista / Rastreador de Investimento Global da China | Instituto Empresarial Americano – AEI