A independência dos Estados Unidos e seus pais fundadores
No dia 4 de julho de 2026 os Estados Unidos completam 250 anos de independência, e essa data é uma boa desculpa pra reler uns detalhes dessa história que sempre me chamaram atenção. Uma dessas curiosidades é sobre os homens retratados em pinturas solenes, peruca branca e aparentemente senhores sábios. Só que na hora em que a coisa toda estava acontecendo, boa parte deles ainda nem tinha vivido o suficiente pra parecer sábio de verdade. Os famosos founding fathers, os pais fundadores tão venerados nos Estados Unidos até hoje, eram na maioria uns rapazes muito jovens naquele momento da história.
James Monroe
James Monroe tinha 18 anos e era tenente do Terceiro Regimento de Infantaria da Virgínia. Em dezembro daquele ano ele atravessou o rio Delaware junto com o exército de Washington, na virada pro ataque surpresa contra as tropas de Trenton, e levou um tiro de mosquete no ombro que quase o matou, salvo só porque um médico conseguiu estancar a artéria a tempo. Aquele garoto seria presidente dos Estados Unidos décadas depois, mas em 1776 ele ainda nem tinha terminado a faculdade (Miller Center).
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John Marshall
John Marshall tinha 20 anos e servia como oficial na milícia da Virgínia, tendo acabado de virar capitão do Exército Continental naquele mesmo ano. Décadas depois ele se tornaria o presidente da Suprema Corte mais influente da história americana, mas em 1776 ainda era só um rapaz que tinha estudado na Westmoreland County Academy junto com Monroe. Os dois ficaram tão próximos que depois dividiram uma cabana durante o inverno gelado em Valley Forge (American Battlefield Trust).
Aaron Burr
Aaron Burr também tinha 20 anos e já vinha de uma experiência dura na guerra, tendo participado da invasão fracassada do Canadá em 1775 como assessor do general Montgomery. Em 1776 ele passou a servir como assessor do general Israel Putnam, ajudando a organizar a retirada do exército americano de Nova York. Burr tinha ficado órfão de pai e mãe antes dos três anos de idade e entrado em Princeton aos treze, se formando com apenas dezessete (American Battlefield Trust).
Alexander Hamilton
Alexander Hamilton é um caso à parte, porque nem os historiadores concordam sobre a idade dele. Em março de 1776 ele virou capitão de uma companhia de artilharia de Nova York, lutando em batalhas na região naquele ano, antes de se tornar assessor pessoal de Washington no ano seguinte. O problema é que nem ele mesmo tinha certeza do próprio ano de nascimento, e os historiadores hoje se dividem entre 1755 e 1757, o que deixa a idade dele em 1776 em algum ponto entre 19 e 21 anos (History Today). De qualquer maneira, era um rapaz recém-saído da faculdade comandando homens em combate.
James Madison
James Madison tinha 25 anos e naquele ano foi eleito delegado à Convenção da Virgínia, responsável por escrever a primeira constituição do estado. Foi ali que ele deu sua primeira contribuição política de peso, convencendo os outros delegados a mudar o texto da Declaração de Direitos da Virgínia pra garantir o “livre exercício” da religião em vez de mera “tolerância” religiosa (Encyclopedia Virginia). O futuro pai da Constituição americana ainda nem tinha entrado no Congresso Continental, isso só aconteceria em 1780.
John Jay
John Jay tinha 30 anos e era delegado ao Congresso Continental, mas em 1776 estava mais ocupado em Nova York, ajudando a redigir a constituição do próprio estado dele. Foi por isso que ele acabou não assinando a Declaração de Independência, já que não estava em Filadélfia na hora da votação (American Battlefield Trust). É meio irônico que um dos nomes mais lembrados entre os fundadores, e que décadas depois se tornaria o primeiro presidente da Suprema Corte americana, tenha ficado de fora justamente no dia mais simbólico de todos.
Thomas Jefferson
Thomas Jefferson tinha 33 anos e integrava o comitê de cinco pessoas encarregado de redigir a Declaração de Independência, tarefa que na prática recaiu quase inteira sobre ele. Jefferson já era um rapaz que tinha herdado a fazenda da família aos 14 anos, quando o pai morreu, e chegava ao Congresso como um dos delegados mais jovens da Virgínia (Monticello).
Thomas Paine
Thomas Paine nem americano era. Nascido na Inglaterra, desembarcou na Filadélfia só no fim de 1774, depois de uma vida inteira de fracassos como fabricante de espartilhos e funcionário da alfândega inglesa. Com uns 39 anos, publicou em janeiro de 1776 o panfleto Common Sense (senso comum), que convenceu boa parte da população colonial de que a independência era inevitável, e ainda naquele ano se juntou ao exército como voluntário, escrevendo em dezembro o primeiro dos panfletos da série American Crisis (Mount Vernon).
John Adams
John Adams tinha 40 anos e era o delegado que mais puxava a fação pró-independência dentro do Congresso Continental, tendo sido ele quem indicou Washington pro comando do exército no ano anterior. Em 1776 Adams integrava tanto o comitê que redigiu a Declaração quanto o Board of War, o comitê que supervisionava as operações militares do Congresso, depois de uma vida inteira dedicada à advocacia em Boston (Miller Center).
George Washington
George Washington tinha 44 anos e comandava o Exército Continental, tocando naquele ano a retomada de Boston e depois a difícil campanha de Nova York contra os britânicos. Pelos padrões de hoje isso é meia-idade, nem perto de velhice. Washington tinha aprendido boa parte do que sabia sozinho, virando agrimensor na adolescência depois que o pai morreu e deixou a família sem recursos pra bancar uma educação formal (Mount Vernon).
Benjamin Franklin
Benjamin Franklin tinha 70 anos, o dobro da idade de Jefferson, e também integrava o comitê que redigiu a Declaração, além de ocupar o cargo de Postmaster General, uma espécie de diretor geral dos correios do Congresso. Ainda naquele mesmo ano ele embarcaria pra França pra negociar a aliança que salvaria a guerra americana (American Battlefield Trust).
Founders
Para nós aqui no Brasil, é sempre meio estranho ver o tanto que os americanos investem em torno dessa turma. Tem estátua em toda praça, tem retrato oficial em toda repartição, tem citação deles decorada desde a escola primária. Os fundadores funcionam nos Estados Unidos quase como uma mitologia cívica, um conjunto de personagens que a nação usa pra explicar quem ela é e o que representa. A gente não tem exatamente um equivalente disso por aqui. Nossa independência também teve seus protagonistas, mas ninguém trata Dom Pedro I ou José Bonifácio com esse tipo de devoção que atravessa gerações inteiras de americanos.
Parte da explicação está no próprio texto que esses homens deixaram. A Declaração de Independência virou uma espécie de escritura sagrada da religião cívica americana, repetida em sala de aula, em juramento de posse, em discurso de campanha. Quando um político americano cita os founding fathers, ele não está só puxando uma referência histórica, está invocando uma autoridade moral que atravessa republicanos e democratas por igual. Um detalhe que ajuda a entender essa devoção toda é que assinar aquele documento era, tecnicamente, um ato de traição contra a coroa britânica, punível com a forca. Um bando de rapazes sem fortuna consolidada estava apostando literalmente a própria vida numa causa incerta, e isso rende um tipo de mito fundador que qualquer nação adoraria ter.
Leitura aprofundada, pra quem quiser ir direto às cartas e documentos originais desses personagens. O Founders Online, do National Archives americano, reúne gratuitamente toda a correspondência trocada entre Washington, Adams, Jefferson, Madison, Hamilton e Jay (National Archives).
A independência dos Estados Unidos

Pra entender a independência americana, o ponto de partida de verdade é 1763, ano em que termina a Guerra dos Sete Anos, um conflito global entre Grã-Bretanha e França que na América do Norte ficou conhecido como Guerra Franco-Indígena. A Grã-Bretanha venceu e tomou praticamente todo o território francês no continente, mas saiu da guerra com uma dívida gigantesca e um império bem maior pra administrar e defender (Departamento de Estado dos EUA).
O governo britânico olhou pras treze colônias americanas e enxergou ali a solução óbvia pro problema fiscal, cobrar dos próprios colonos parte da conta, já que eles tinham se beneficiado da proteção militar britânica durante a guerra. Só que essas colônias nunca tiveram representantes eleitos no Parlamento em Londres, e é daí que nasce o slogan que ia virar o estopim de tudo, “no taxation without representation”, nenhuma taxação sem representação (National Park Service).
O Parlamento britânico começou com a Lei do Açúcar em 1764, seguida da Lei do Selo em 1765, que exigia um selo pago sobre praticamente qualquer papel impresso na colônia, de jornal a carta de baralho. A reação foi imediata. Colonos organizaram boicotes e protestos, e em alguns lugares chegaram a atacar cobradores de impostos, até que representantes de nove colônias se reuniram no Congresso da Lei do Selo pra formalizar a reclamação (American Battlefield Trust). O Parlamento recuou e revogou a lei em 1766, mas o padrão já estava dado. Depois vieram as Leis Townshend em 1767, o Massacre de Boston em 1770, a Lei do Chá em 1773 e o Boston Tea Party, quando colonos disfarçados de indígenas jogaram um carregamento inteiro de chá britânico no porto de Boston.
A resposta de Londres foi endurecer ainda mais, com as chamadas Leis Intoleráveis de 1774, que fechavam o porto de Boston e restringiam o autogoverno de Massachusetts. Foi essa escalada que levou à convocação do Primeiro Congresso Continental em Filadélfia, ainda em 1774, e depois ao início dos combates em Lexington e Concord, em abril de 1775. Um ano e três meses depois, em 4 de julho de 1776, o Segundo Congresso Continental aprovou a Declaração de Independência.
A independência americana só deu certo porque a França resolveu entrar no jogo, e a França não fez isso por simpatia com os ideais de liberdade dos colonos. A França tinha acabado de perder aquela mesma Guerra dos Sete Anos pra Grã-Bretanha em 1763, e via na revolta americana uma chance de virar o jogo e enfraquecer o rival de sempre (Council on Foreign Relations).
No início a ajuda francesa era só clandestina, dinheiro e armamento por baixo dos panos. O jogo mudou quando os americanos venceram a Batalha de Saratoga em outubro de 1777, mostrando que o Exército Continental tinha condições reais de vencer a guerra. O ministro das relações exteriores francês, Charles Gravier, o conde de Vergennes, aproveitou o momento pra fechar um Tratado de Aliança formal em fevereiro de 1778, e a partir dali a França passou a mandar tropas e navios, além de financiamento direto pro esforço de guerra americano (Departamento de Estado dos EUA). Sem esse apoio francês, a rendição britânica em Yorktown em 1781 provavelmente não teria acontecido, e o tratado em si ainda trazia uma cláusula curiosa, proibindo qualquer uma das partes de fazer paz separada com a Grã-Bretanha sem o consentimento da outra (National Archives).
Voltando aos pais fundadores, um outro grupo é o dos que ficaram menos famosos, mas cujas assinaturas aparecem repetidas vezes nos papéis fundadores. Roger Sherman, com 55 anos, foi a única pessoa a assinar os quatro grandes documentos da fundação americana, a Associação Continental, a Declaração de Independência, os Artigos da Confederação e a Constituição. Sherman começou a vida como sapateiro autodidata em Connecticut, sem educação formal nenhuma, e ficou tão respeitado entre os colegas que Thomas Jefferson disse dele que nunca tinha dito uma bobagem sequer na vida (Connecticut History, CTHumanities).
George Mason, com uns 51 anos, escreveu a Declaração de Direitos da Virgínia em maio de 1776, documento que serviu de base direta pra Carta de Direitos americana e que, segundo o próprio Marquês de Condorcet, também influenciou a Declaração dos Direitos do Homem francesa em 1789. Mason, aliás, se recusou a assinar a Constituição de 1787 justamente por ela não ter uma declaração de direitos embutida (Suprema Corte dos EUA).
James Wilson, com 33 anos, era escocês de nascença e uma das poucas pessoas a assinar tanto a Declaração quanto a Constituição, além de virar um dos primeiros juízes da Suprema Corte. A gente precisa mencionar aqui que o final da vida dele foi bem menos glorioso que o começo. Wilson se meteu em especulações imobiliárias arriscadas, foi parar na cadeia por dívidas duas vezes enquanto ainda era juiz da Suprema Corte, e morreu fugindo de credores em 1798 (Mount Vernon).
Por último tem Robert Morris, com 42 anos em 1776, provavelmente o homem mais rico da América na época. Foi ele quem bancou boa parte da logística da guerra do próprio bolso e comprou navios pro que viria a ser a Marinha americana. Também fundou o Bank of North America pra estabilizar as finanças do Congresso. Anos depois ele se meteu numa especulação de terras que deu terrivelmente errado, e o homem que tinha financiado a independência americana passou os últimos anos preso por dívidas, morrendo tão esquecido que os jornais da época publicaram só um obituário de cinco linhas (History.com).
Portugal e a independência americana

A gente já cobriu bastante coisa dessa história dos 250 anos da independência americana, mas tem um ângulo que quase ninguém comenta por aqui, que é a reação de Portugal a tudo isso. E o timing dessa reação é tão bizarro que parece invenção.
No mesmo dia 4 de julho de 1776, enquanto o Segundo Congresso Continental assinava a Declaração de Independência em Filadélfia, o governo português assinava em Lisboa um decreto proibindo a entrada de qualquer navio vindo das colônias britânicas da América do Norte nos portos portugueses. Reinava D. José e quem governava de fato era o Marquês de Pombal (Tribunal de Contas de Portugal).
Só que essa coincidência de datas não significa o que parece significar. O decreto português chama os colonos americanos de vassalos que se encontram publicamente sublevados contra seu soberano natural, ou seja, Portugal tratava aquilo como uma revolta de súditos britânicos contra o rei britânico. Não tinha absolutamente nada a ver com a Declaração assinada naquele mesmo dia em Filadélfia.
E aqui um detalhe. Notícia nenhuma atravessava o oceano em um dia. Um navio levava tipicamente de um a dois meses pra cruzar o Atlântico, dependendo do vento e da rota, então é fisicamente impossível que Lisboa soubesse da Declaração de Independência assinada horas antes do outro lado do mundo. O que Portugal já sabia havia meses era que as coisas estavam feias nas colônias inglesas, com os combates de Lexington e Concord em abril de 1775 e toda a movimentação militar que veio depois.
O decreto português, então, era uma resposta a essa rebelião em andamento, não ao documento específico que ia formalizar a separação. Portugal só ficaria sabendo da Declaração de Independência em si semanas ou meses depois, quando algum navio finalmente trouxesse a notícia.
Outro detalhe importante de mencionar aqui é por que Portugal se importava tanto com uma briga entre ingleses e colonos ingleses. A resposta tem a ver com o próprio império português. Portugal tinha o Brasil, uma colônia gigantesca, rica em ouro, e que naquele momento vivia sob as mesmas lógicas de exploração fiscal que estavam explodindo nas colônias britânicas. Se o Parlamento inglês achava normal reprimir contrabando e taxar excessivamente suas colônias americanas, e via nisso um direito legítimo da metrópole, Portugal enxergava a rebelião americana como um precedente perigoso, não como um exemplo a admirar.
A lógica de qualquer coroa colonial da época era deixar que colonos em qualquer lugar do mundo vencessem uma guerra de separação contra uma potência europeia era um convite pra que colonos em outros lugares tentassem a mesma coisa. E o Brasil, com sua elite endividada e revoltada com os impostos sobre o ouro, era candidato natural a se inspirar nisso.
A posição portuguesa só mudou de fato depois que D. José morreu, Pombal caiu em desgraça e D. Maria I assumiu o trono. Em 15 de fevereiro de 1783, Portugal reconheceu formalmente a independência dos Estados Unidos, junto com a França e a Holanda, um dos primeiros países do mundo a fazer isso, inclusive antes da assinatura do tratado de paz definitivo entre americanos e britânicos, que só veio em setembro daquele mesmo ano (Tribunal de Contas de Portugal).
Mesmo assim, a relação diplomática demorou pra engrenar. Os dois países discutiram por anos sobre o nível de representação que cada um mandaria pro outro, porque os americanos queriam mandar apenas um encarregado de negócios, enquanto Portugal exigia reciprocidade com um ministro residente, o mesmo grau que Portugal esperava receber em Lisboa. Só em 1794 é que Cipriano Ribeiro Freire, o primeiro representante diplomático português nos Estados Unidos, apresentou suas credenciais ao próprio presidente George Washington em Filadélfia.
Minas Gerais
Agora vem a parte que, infelizmente, ainda recebe pouca atenção: a conexão direta entre a independência americana e a Inconfidência Mineira (já falamos sobre isso aqui). Um estudo lançado em 2025 por André Figueiredo Rodrigues, historiador da Unesp de Assis, reconstrói com documentos e cartas um contato direto entre os inconfidentes mineiros e o próprio Thomas Jefferson, o que faz da conspiração mineira o primeiro movimento separatista das Américas a se inspirar de forma direta no modelo americano, antes até dos processos de independência na América Espanhola, que só vieram décadas depois (Jornal da Unesp).
O contexto em Minas Gerais era de gente endividada e sufocada pelo Quinto, o imposto de 20% sobre o ouro extraído, e pela ameaça constante da Derrama, o mecanismo que cobrava à força qualquer diferença que faltasse pra bater a meta anual da Coroa. Em 1787 chegaram a Minas Gerais dois exemplares de uma coletânea com a Declaração de Independência americana e as leis dos Estados Unidos recém-formados, e Tiradentes foi uma das figuras centrais na tradução e disseminação daquele material entre os conspiradores.
O contato direto aconteceu através de José Joaquim da Maia, um estudante de medicina brasileiro que estudava na França. Em outubro de 1786, usando o codinome Vendek pra driblar a censura portuguesa, Maia escreveu pro embaixador americano na França, que era ninguém menos que Thomas Jefferson, pedindo um encontro pra discutir apoio a uma eventual revolta brasileira. O encontro aconteceu em abril de 1787 em Nîmes, no sul da França, escolhida justamente porque os espiões portugueses se concentravam em Paris.
Jefferson ficou animado com a possibilidade, principalmente pelo potencial comercial de uma independência brasileira, e chegou a consultar John Jay, que na época cuidava da política externa americana. Jay respondeu que os Estados Unidos ainda eram uma república jovem demais, com menos de dez anos de vida, dependente do apoio de outras potências europeias e sem condições de bancar mais uma frente de conflito contra os britânicos, que na época dominavam os mares. Pra piorar a situação dos mineiros, os próprios Estados Unidos tinham acabado de fechar acordos comerciais vantajosos com Portugal, exportando trigo e arroz da Virgínia, o que tornava qualquer rompimento com os portugueses um mau negócio pro lado americano.
Mesmo sem apoio institucional, os inconfidentes seguiram em frente com o planejamento, e em 1788 chegaram a esboçar um programa de governo que incluía o fim do monopólio comercial com Portugal, a criação de universidades e indústrias e a adoção de um regime republicano nos moldes americanos, com a ideia de fundar uma república em Minas Gerais. A conspiração acabou delatada por três dos próprios participantes antes de sair do papel. A maioria dos envolvidos foi presa e depois perdoada ou exilada, com a exceção de Tiradentes, condenado à morte e enforcado no Rio de Janeiro em 21 de abril de 1792.
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